Riscos culturais ocultos em M&A

Choque cultural

Sem validação externa, a due diligence cultural mede apenas a cultura pretendida, não a cultura que dirige o comportamento e os resultados

Riscos culturais ocultos em M&A são uma preocupação. A cultura corporativa é aquilo que define como as coisas são realmente feitas dentro de uma empresa, e isso tem sido cada vez mais relevante para processos Fusões e Aquisições (M&A), especialmente para validar potenciais choques e incompatibilidades que possam comprometer o resultado e o retorno esperados.

Valores, prioridades, processo decisório, nível de formalidade, grau de autonomia, comunicação, critérios de avaliação e recompensa, inovação, convivência com o risco.

Todas essas coisas são aspectos da cultura de uma empresa que podem impactar em fusões e aquisições, seja internamente através de conflitos, perda de talentos e redução da produtividade, seja externamente através da perda direta de clientes e contratos.

“Medindo” a cultura

Não podemos “medir” a cultura diretamente, mas podemos inferi-la através de diversas evidências que podem ser medidas, e nesse contexto existem duas manifestações da cultura que precisam ser avaliadas: a cultura interna, e a cultura externa.

A cultura interna reflete a forma como as coisas são feitas (ou deveriam ser feitas) dentro de casa, o que pode ser medido olhando para as normas, os processos, a hierarquia, o perfil da equipe, programas de cargos e salários, etc, aspectos que podem ser avaliados diretamente pela documentação existente e em conversas com a equipe.

Mas analisar apenas essa manifestação interna da cultura não nos diz realmente como a empresa se comporta no mercado.

Agilidade, foco no cliente, comprometimento, inovação, comunicação, preocupação com a qualidade, excelência técnica, burocracia, processos, política comercial, dependência de poucas pessoas, rotatividade da equipe, esses e outros aspectos essenciais da cultura de uma empresa transparecem de forma muito clara para o mercado, especialmente em empresas B2B, e muitas vezes contradizem o que mapeamos internamente.

Cultura pretendida x Cultura real

Por exemplo, por mais que internamente existam normas e procedimentos claros de controle de qualidade, se a percepção de qualidade ainda não chegou aos clientes, essa é no máximo uma tentativa de mudança cultural, não um elemento estabelecido da cultura.

Se o mercado considera a empresa lenta e burocrática, a implantação de metodologias ágeis e a redução da burocracia ainda não surtiram o efeito desejado, e assim por diante, empresas tendem a ter uma visão “generosa” sobre si mesmas, é inevitável.

O mercado validando a cultura

Embora não seja perfeita nem infalível, não há fonte mais isenta para nos dizer como uma empresa realmente faz as coisas do que seus clientes. Eles não conhecem todos os detalhes e processos internos, mas sabem nos dizer como esses processos se traduzem em atitudes e comportamentos.

Especialmente no mercado B2B, se queremos saber o que uma empresa prioriza, como ela se comunica, como seus colaboradores agem, qual o seu ritmo, os clientes são a melhor fonte de informações.

Quando avaliamos a cultura, o assessment interno nos diz mais sobre como as coisas foram construídas para funcionar, enquanto a avaliação externa, o Mapeamento de Imagem de Mercado, nos diz qual foi o resultado prático disso, especialmente se apoiado por uma plataforma adequada. Una as duas coisas, e você terá uma avaliação completa.

A avaliação interna nos dá os bastidores, a intenção cultural, o direcionamento e a estrutura criada para isso, e a avaliação externa nos mostra o quanto dessa intenção se converteu em realidade, onde existem gaps, e qual parte dessa estrutura cultural não está funcionando como deveria.

Quando não usamos a percepção do mercado para validar as manifestações culturais internas, estamos avaliando os riscos da cultura que a empresa pensa ter e/ou gostaria de ter, não os riscos da cultura que efetivamente existe.

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