Mitos corporativos

M


Verdades incontestáveis
que aprisionam as empresas

Existe um fenômeno silencioso dentro de praticamente toda organização que influencia decisões de forma profunda. São os mitos corporativos, ideias que, ao longo do tempo, passaram a ser tratadas como fatos inquestionáveis.
Eles aparecem em frases que todos já ouvimos:

  • “Nosso mercado não valoriza isso”
  • “Já tentamos, mas isso não funciona aqui”
  • “O que o cliente realmente quer é…”
  • “O mercado nos escolhe porque somos…”
  • “O que realmente gera resultados é…”

Provavelmente todas essas frases foram verdadeiras em algum ponto, e talvez algumas ainda sejam. O problema é que elas deixaram de ser verificadas, e passam a funcionar como verdades automáticas, mesmo depois que o contexto mudou. É aí que mora o perigo.

Dogmas nascem como coisas boas

Dogmas quase sempre começam com algo real: uma venda importante, uma perda marcante, um período de crescimento, uma crise. A empresa observa, coleta informações, analisa, e cria uma explicação — e essa explicação, por ser simples e coerente, começa a se repetir.

Acontece que o tempo causa dois efeitos simultâneos: essas explicações vão se tornando gradualmente menos corretas por conta das mudanças do mercado e da própria empresa, ao mesmo tempo em que questionar essas explicações fica cada vez mais difícil, pois elas vão se enraizando na cultura da empresa.

Com o tempo, a repetição e a disseminação cristalizam essas explicações em verdades, e nascem os dogmas.
A partir desse ponto, a empresa está tomando decisões e agindo com base em premissas incorretas, o que leva a uma dificuldade crescente não apenas em atingir os resultados esperados, como em diagnosticar os motivos disso. Afinal, eles estão fazendo tudo “By the Book”.

E por que as pessoas param de questionar? Porque, na prática, não faz sentido questionar tudo o tempo todo.

Quando uma empresa faz descobertas úteis, elas precisam ser replicadas para gerar resultado. Mitos, nesse sentido, têm um papel positivo, eles simplificam a realidade, criam atalhos, e tornam a tomada de decisão mais rápida.

Os questionamentos em relação a essas verdades deixam de existir não porque são reprimidos, mas porque são desnecessários, os mitos são úteis e funcionam. Pelo menos, no curto prazo.

O verdadeiro problema

O verdadeiro problema com os mitos corporativos não acontece porque os questionamentos desaparecem, acontece porque não há mecanismos para reintroduzir os questionamentos, nada que force a revisão periódica desses mitos em algum ponto do futuro.

Empresas imaginam que, quando surgirem evidências de que os mitos estão errados, essa revisão acontecerá naturalmente, mas, na prática, isso não acontece. Quanto mais consolidada a crença, mais difícil se torna revisitá-la.

Organizações são desenhadas para executar, não para revisar premissas. Compliance, metas e cultura reforçam alinhamento, execução e previsibilidade — não questionamento.

Quebrando o ciclo

A maneira mais simples de quebrar esse ciclo é introduzir elementos e práticas que forcem, periodicamente, a revisão dos principais mitos e crenças de uma empresa.

Porém, existe uma dificuldade adicional: os mitos não estão documentados em nenhum lugar, eles são intangíveis, existem apenas na cabeça das pessoas.

Ou seja, não podemos criar um processo para revisar os mitos corporativos, pois eles são não processuais, não há como fazer uma “reunião anual de revisão de mitos”.

Então, como combater esses fantasmas corporativos?

Onde moram os mitos

Se não podemos atacar os mitos diretamente, a solução é combater o seu “habitat natural”. Mitos se proliferam nas sombras da ausência de dados (ou de dados obsoletos), portanto, podemos criar mecanismos que, de tempos em tempos, lancem a luz de novas informações nas áreas e contextos onde os mitos aparecem com mais frequência.

É claro que essas áreas variam de negócio para negócio, mas existem certos cenários que são pródigos em gerar mitos, e o principal deles é certamente o mercado.

Todo negócio depende da interação bem-sucedida com o mercado (vendas, marketing, parcerias, canais, etc), e o mercado é justamente o elemento mais difícil para obter informações.

Então, quando uma empresa faz alguma descoberta sobre o mercado (muitas vezes acidental), essa informação é tratada como um tesouro corporativo, protegida, alimentada e reproduzida, pois ela vale dinheiro.

Combatendo os mitos de mercado

Em vez de correr atrás dos mitos, a forma mais eficaz de combatê-los é iluminar periodicamente as sombras do seu habitat com novos e bem estruturados dados, e isso é especialmente válido para o mercado.

Novas informações que confirmem certas verdades vão fortalecê-las, provando que elas ainda são úteis, ao passo que informações que contradigam outras verdades vão expor mitos ultrapassados e prejudiciais, tirando-os do conforto das sombras e forçando o seu debate.

Embora coisas como uma cultura arraigada e o viés de confirmação costumem resistir aos dados, a exposição periódica e o debate frequente tendem a enfraquecer os mitos ultrapassados, e fazê-los morrer da mesma forma que nasceram: gradualmente.
O caminho para erradicar mitos de mercado obsoletos que prejudicam e aprisionam o negócio passa pela coleta periódica de dados de mercado (o que é bem diferente de satisfação de clientes), pela repetição de perguntas que já foram feitas mais de uma vez, e pelo entendimento de que o tempo muda gradualmente as respostas.

Veja também:


Converse conosco para entender melhor como a Phercept pode apoiá-lo nesse desafio.

Para saber mais, baixe nosso eBook