
A cultura corporativa se mede pelo jeito que uma empresa realmente faz as coisas, e não pelo jeito que ela diz que faz, ou pensa que faz
Embora a cultura de uma empresa tenha inúmeras dimensões, se quisermos medir a cultural de forma objetiva e prática podemos nos focar em 5 dicotomias essenciais, que se refletem de forma visível nas atividades cotidianas:
- Flexibilidade e Autonomia x Rigidez e Controle – O quanto e como as pessoas são controladas
- Foco nos Resultados x Foco nos Processos – Como as pessoas são avaliadas e julgadas
- Agilidade x Precaução – O ritmo em que as coisas acontecem
- Inovação e Risco x Tradição e Segurança – Quanto risco é aceito para buscar o novo
- Humanização x Formalismo – Como as pessoas interagem e convivem
Mais do que determinar apenas a cultura da organização, um mapeamento dessas características oferece também uma visão do perfil médio dos colaboradores.
Embora sempre existam exceções, indivíduos tendem a se manter e prosperar num ambiente compatível com as suas características pessoais, e se afastar de ambientes que exigem delas atitudes e posturas que não são condizentes com as suas personalidades.
O impacto em M&A
Essa visão mostra por que, no mundo de fusões e aquisições, incompatibilidades culturais são um problema muito mais sério do que apenas ajustes de processos e posturas, elas refletem incompatibilidades estruturais de perfis médios, aspirações e zonas de conforto das equipes.
Entretanto, na hora de medir esses riscos, as técnicas tradicionais de análise cultural (entrevistas internas, pesquisas de clima, análise de processos, etc) tendem a fornecer muito mais uma visão da cultura idealizada e pretendida do que da cultura efetiva, e os incontáveis insucessos de M&A por incompatibilidades culturais não detectadas são um indicativo dessa limitação metodológica.
Complementando e validando a visão interna
Os levantamentos internos são importantes e úteis, mas falham em mostrar justamente os aspectos mais delicados da cultura, as características mais desconfortáveis, que muitas vezes a própria empresa desconhece.
Para chegar a essas características e mapear a cultura real precisamos buscar informações numa fonte complementar que não sofre a influência da cultura idealizada, não é impactada pela pressão do ambiente, e nem tem receio de represálias pelas suas palavras: o mercado.
É claro que a capacidade dos clientes de perceberem a cultura de uma empresa varia muito conforme o tipo de produto ou serviço oferecido. Porém, se nos focarmos em empresas B2B, especialmente aquelas que não vendem commodities, temos normalmente um relacionamento de longo prazo que envolve diversas áreas, vários processos, e inúmeros profissionais de ambos os lados.
Esse tipo de relacionamento corporativo ramificado e multifacetado abre uma janela pela qual os clientes conseguem enxergar boa parte da cultura dos seus fornecedores, através do somatório de atitudes e posturas dos diversos pontos de interação ao longo dos anos. Com esse grau de proximidade, torna-se impossível esconder dos clientes a verdadeira cultura da empresa, incluindo as características culturais menos favoráveis.
Isso não tem nada a ver com o grau de satisfação, mesmo clientes extremamente satisfeitos e com um NPS altíssimo percebem certas características negativas e limitações de seus fornecedores, o que não os impede de continuar com eles.
Uma pesquisa feita com os clientes de empresas B2B voltada especificamente para mapear a cultura percebida dessas empresas é o instrumento ideal para chegar onde as pesquisas internas não podem nos levar, uma forma simples e acessível de detectar antecipadamente características, problemas e conflitos que podem custar muito dinheiro.
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